A Gaiola de Faraday
Nulo. De nada vale. A estufa cardíaca era uma nuvem de electrões deslocados. Um volume sem campo eléctrico onde a corrente alastra ao redor do espaço fechado sem que nele adentre. Um escudo não-ligante a abrigar vazios-orbitais, expulsando o desejo, aquecendo o tumulto dos meus olhos.
Tudo o mais conseguia percorrer a superfície livremente, regendo a liturgia da condutividade com espanto e choque eléctrico.
O corpo, um electroscópio, indiferente a todas as consequências, um clássico, pivoteava relâmpagos e descargas eléctricas polarizadas, registados num gráfico de sílabas, comprimentos de ondas dissimulantes, spins magnéticos percorrendo as artérias por onde circulam as paixões.
Constatou-se uma blindagem conformada com palavras perturbadas a invocar um verso, ali naquela rua sem sentido em forma de gaiola.
|||ACP|||
Pic by MM6 Maison Margiela


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