Testemunho sem eloquência

Atropelamento da linguagem, do discurso, da fluência. 

Afundo-me, enfileirada num circuíto rotativo de sutentação mnésica, caio sobre a transparência do silêncio, na sombra de um verso alongado ou de uma sílaba destroçada. Sei do espanto inquieto que me invade, do contraste multicolor das emoções polarizadas, do tudo ou nada, do corte e da intimidade. 

Na probabilidade equacionada, que nada tem de valor que baste para a prática da ciência, mas que se dá ao prazer inventado do desejo,  estavas instalado no espaço do meu caminho.  

À luz de uma candeia de emoções desnorteadas, ora iluminando, ora obscurecendo, sem desejar melindrar o rosto das palavras, deslaço os passos com cuidado e empenho. 

Transponho-me no risco fugidio da esferográfica, na flor que atrai os insectos, no sopro frágil da aragem, na melancolia das árvores, na nudez do pé fora da sandália.

Tenho no peito a convicção da raiva e a estoicidade do amor. Permeio o golpe de um tabefe e a arma de um abraço, o prego cravado de um insulto e o lume de um beijo. 

|||ACP|||




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