Num dia sem sol...
A besta de ferro há muito que deixou para trás a estação em que tu entraste e agora desliza como víbora sibilante, sobre os carris esguios em equilíbrio e aceleração acrobáticas.De óculos escuros e de olhos fechados, reconheces mentalmente o percurso no meio daquelas gentes ausentes que se cruzam num trajecto estéril, para lugar algum, em que tu embarcaste também. Espreitas nas arestas do que nunca sentiste, lanças âncoras para uma enseada doirada, dona de uma habilidade arenosa onde te abrigas numa vertigem.
Seguras no fecho usado da porta de vidro da carruagem deslizando-a desarrumadamente, como de resto a tudo fazes.
Avanças a passos determinados para o interior do cubículo abandonado, abalando com os teus gestos o ar vulcânico daquele espaço exíguo como um duelo de lâminas afiadas, entre a tua pele e os gases inertes. Fazes esvoaçar a tua mala para o assento amarrotado e acomodas-te exuberantemente no lugar desocupado. Despes o casaco, desabotoas metade da blusa, descalças-te, e estendes as pernas curvilíneas para o sofá da frente. O teu longo cabelo revolta-se como uma onda e espreguiça-se sensualmente ao longo do teu rosto.
Avanças a passos determinados para o interior do cubículo abandonado, abalando com os teus gestos o ar vulcânico daquele espaço exíguo como um duelo de lâminas afiadas, entre a tua pele e os gases inertes. Fazes esvoaçar a tua mala para o assento amarrotado e acomodas-te exuberantemente no lugar desocupado. Despes o casaco, desabotoas metade da blusa, descalças-te, e estendes as pernas curvilíneas para o sofá da frente. O teu longo cabelo revolta-se como uma onda e espreguiça-se sensualmente ao longo do teu rosto.
Segues assim, estagnada nessa caverna, deixando que a maré-alta em ti, afogue a verdade da tua ida, feita de pegadas de búzios náufragos, num dia sem sol.

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