Medir... sem proporção.

Seguro uma régua de medir mundos e caminho por entre as almofadas do sofá, subindo por dias altos, dias difíceis de entender, tomando a medida de tudo, desde a soleira da porta à estrada e desta a uma qualquer ponte. Meço...meço a inquietação de construir coisas encadeadas na marcha do sonhar.
Determino a extensão do desespero de seguir num barco à deriva no meio de uma tripulação louca, rebentando este, já ali, num banco de areia.
De pés descalços, corro, engrossando um cardume de sonhos afogados, medindo, em relance volátil, o parecer das coisas, como se livre do calçado, também estivesse livre da vida.

...A massa de ar carrega-me leve na minha morada, de braços abertos e olhos fechados, abraça-me um vento sem peso... Ajeito de novo a régua no esticar do braço e piscar do olho, e aponto para o meio do sol do fim da tarde, um meio amarelo de gema de ovo cozido, e sigo, encimada numa bicicleta de aros longos, em perseguição ao sol, para que o dia não termine.

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