Véspera do prazer

Não é hoje, não é o dia.
Todo o esforço se esvai para um canto esquecido. Procuro a eloquência no desvão do músculo que finjo poético, mas apenas se abate a quietude cíclica do silêncio.
Mendiga de palavras, os olhos cospem intenções, antes que o sol amanheça a veracidade da vida.
Grito um piar mudo que choca contra o chão e me faz dançar num quarto a arder.

Enterra-me no teu sorriso e murmura-me a certeza de que tudo é muito maior, mais profundo, mais alto e existencial do que eu realmente alcanço.


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