(sabendo) do Incerto

O tempo acordou diferente. Não era frio, nem era quente. Não haviam palavras, as letras despencavam-se pelo vão do teu silêncio. Por fora homem, por dentro menino. Não é o que fazes, mas sim o que não fazes. Não é o que pensas, mas o que não pensas. Não é o que sentes, mas o que não sentes.

Nunca sei como começas o vento. Vem sem ser chamado. Nunca está próximo. Nunca está distante. Vem e vai. Com pouco, não me contento. Aproximas-te com os bolsos carregados de luar. Qualquer coisa assim e coisa nenhuma. Desentendida, velo a vontade nessa sombra farta, onde a tristeza caminha e se espalha...tal erva daninha. E no estreito da tua afasia, no mais intenso negrume, apenas uma lâmpada suspensa no tecto. Danças. O teu corpo é leve, mas a cabeça pesa mais do que o mundo. Sentes um medo de cair e saudar o declínio.

O passo incerto é o passo certo.

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