SERENIDADE DOSEADA E BEM PARECIDA

Hoje as palavras não me assustam. Apago todas as linhas. Que venha o lápis afiado, a caligrafia bem desenhada e os traços arriscados. Os segundos, as horas, os dias... Fevereiro é o meu mês.

Tu sabes o que me vai por dentro. Tu sabes, o que me vai por dentro? Desapego pelos teus senões, tangenciando fronteiras a um mundo onde ainda não és capaz de entrar. Pressinto a vastidão das tuas dúvidas, do entendimento que ainda te falta para a fragilidade de ser inteiro. Duas portas. Muitas portas. Quatro pernas. As tuas e as minhas. Uma mente primaveril, alcatroada de móveis e objectos de decoração e, uma outra, otcópode e profana. A tua e a minha.
Sei mais de ti, mais do que a tua mãe, o teu pai e o teu ego. E no entanto, nada sei. Não te quero confortável. Quero a tua agonia, o teu suor, a tua espera e o teu sangue.

Sim, sim, tenho caninos no discurso. Devoro-te todos os dias e tu deixas. Tu gostas.


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