À hora da poesia...
À hora da poesia...A retórica ia acesa.
Do ponto mais elevado do pilar, o sacerdote e a mulher apedrejavam-se com as palavras. Ela em superioridade consuetudinária fazia-o cambalear no pensamento enquanto pedaços de chuva caíam em pó sobre uma plateia em gula. Sobre a vertigem das colunatas, as emoções ganhavam valor de troca por número de páginas de um livro sagrado...até que um daqueles silêncios que quebram a fala uivou baixinho e o homem descoroçoado abriu os braços e lançou-se da altura de um céu, como uma vírgula largada num texto. O abismo engoliu-o... num seco queixume e lá no fundo estampou-se um corpo devoluto.
O ar acelerou-se entre o retumbar dos tambores e o pânico da plateia, como um pássaro voando na direcção certa. Ela escapou pela sombra dos sentimentos.
Tinha cometido o seu primeiro homicídio. À hora da poesia.

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