Em sobre.salto
Eram três os pódios. Eram em pedra granítica, de forma rectangular e dispostos em elevação uniforme, sem degraus. A finalidade era mover os pés e alcançar o equilíbrio no topo de qualquer um deles. À força, prepara-se para a corrida ou talvez o salto, calçando a sapatilha que lhe metem entre as mãos. Ao que parece, o número do calçado não é o seu, é de tamanho enganado, maior, assumidamente maior. O pé, no interior da forma, proíbe-se de sonhar, e os atacadores, por muito que se esforcem na sua missão de ajustar o pé ao molde, nunca serão donos do acontecimento. O pulo empresta-lhe balanço às pernas, em direcção ao bloco de pedra, como uma despedida para sempre. Em aplanar prócusteo, fazendo o que era poeticamente possível, atreveu-se-lhe o equilíbrio fugaz e inconquistável em cima da rocha. Depois, despovou-se dali, sem rimas nem versos, apenas com ilusões maduras.

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