Quando uma coisa me fala em silêncio, então é porque está pronta.

Teresa era moça, de horizontes inteiros. Sempre que falava, com o som dos temporais ou em nome do silêncio, fazia-o de modos seguros e redondos. O seu olhar acendia-se de tons esverdeados e escavava na claridade ares triunfantes. Por onde quer que andasse, os seus pés pareciam quase não tocar o chão. O sorriso era nascido das verdades ardentes, aquelas feitas de sonhos, como versos imaturos, atirados para o branco de uma página. Teresa era moça e por isso, os pais, guardavam-na, distante dos rapazes, como uma estrela. Pertencia a uma família relativamente poderosa,  detentora de um monopólio valioso de comércio e de terras. Numa tarde despenteada, Teresa apaixonou-se dos pés à cabeça. O rapaz, da cabeça ao pés, perdeu-se nesse território de anzóis e de música inesperada. Filho da família rival, igualmente embriagada num ódio mútuo, que se engole em palavras sem contornos. Os dentes das duas famílias rangeram: "-Proibido em asboluto. Para ambos." 

Teresa foi arrancada à força,  desse amor traçado na sina e sem caminho. Ceifaram-lhes violentamente tudo o que toca ao coração,  e mais um filho dos braços, acabado de parir. Teresa deu voltas e voltas, sem vontade de parar. Assim como um pássaro, a esvoaçar endoidecido, tentando apagar no voo uma tristeza inextinguível. 

Quiseram, acontecimentos posteriores fazer dela a minha avó.

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