Do comprimento de Zulmira

Zulmira era anedótica. Mulher elevadíssima, de corpo e coração. Os braços traziam a medida anatómica de um comprimento hiperbólico. Atributo temerário de que todos falavam e riam. Zu, apelidada assim, de braços extensíveis, acariciava as tempestades, quando ainda são algo indistinto. Os seus braços longuíssimos ensinavam a hermenêutica dos dilúvios e a mecânica dos sismos. Zu, sempre que abria os braços estendia um espaço, quase infinito, onde tocava uma música para cada pôr-do-sol. Ultimamente, sentava-se na soleira da porta, à espera da cura.

Comentários

  1. A tua Zulmira deve ser parent'afastada da minha Maria:


    Oferecia opulentas formas de mulher ao mundo, quase tudo no sítio. Procurava amor, mas um pouco de sexo já não seria mau. Os homens pediam-lhe intermináveis blues do Delta. «O delta!», estremecia (estremecia-lhe o delta). Que cruz, a tua voz.

    Morreu Maria, na noite do dia em que a manhã choveu desde madrugada, ao recusar-se continuar para um bando de bêbados inúteis com histórias de abandonos, arritmias e filhos retalhados por dentro. Quanto mais sabotava a música melhor lhe saíam as dores. A banda calou-se, pareceu ficar um sax, tímido, o eco dos seus murmúrios, mas não havia sax nenhum, era ela que abafava o lamento arrancando cabelo atrás de cabelo. Stormy weather, Maria.

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  2. Aparentadíssimas :) ...num acorde afastado. ;)

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