Empréstimo

Arranja-me
uns versos
para Maio.
Cede-me
umas quantas
palavras
a saber
a terra.
Empresta-me
uma passagem
que aguente
as chamas
do meu peito. 
E um punhal?
Dispensas-me um punhal
que me caia nas mãos
e fira
de morte
a tristeza
desabrida
que se alonga
numa queda
sem fim?

Ó,desgraça-me
antes
com música
música
que partiu
na mala
de um cigano.

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