Das ganas de Lola e Teotóno

Lola comia chocolates a torto e a direito. Lola estava sempre pronta a dar um destino inelutável, ao aparato sedutor dos bombons e tabletes, que pronunciava em nomes estrangeiros. A perdição de Lola eram os deliciosos entremeados em Gianduja combinado em chocolate nobre. Nesse a ver se te avias a cair de amor pelo dito cujo, Lola saciava-se numa abundância que a deixava esfomeada.

No dia em que a internaram, amarraram-na a uma cadeira, espetando-lhe o dedo indicador no ar, fazendo-a entender a urgência da disciplina. Lola ria alto e batia com os pés no chão.


Teotóno andava aos tiros. Dia sim, dia sim. Caçadeira entalada entre o ombro e a palma da mão esquerda. O gatilho a servir-se dos dedos da direita. Nunca respondia a perguntas. O que não tem importância porque não se ocupava de ninguém. Era um tipo bizarro. Sempre aos tiros. A descarregar munições largadas às cegas. Tiros e mais tiros. A relinchar como putas. Novas.

Teotóno foi retirado de circulação, sem resistência. O radar confirmou a sua presença. Tão alheado do mundo, quanto Lola. Amarraram-no também a uma cadeira. Apertaram-lhe o corpo com vozes em forma de perguntas. Subiram a temperatura das ditas. Perguntas dessas que não se fazem a ninguém. Teotóno dava estalidos com a língua e assobiava com a classe de quem sabe do desejo. Absolutamente.


 

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