É outra vez dezembro
É dezembro e estou a perder a visão. Por certo. A realidade dilui-se sem que a reconheça, agora. Coxea, incerta, ao longo de um caminho largado diante dos olhos. A evidência encarrega-se de se omitir, a tempo inteiro. Diverte-se e troça da minha inaptidão em enxergar o que salta à vista. Põe-me fora da história, ensaia no ar um cheiro a coisa indizível, para depois nada significar.
Os sons, esses dedos transparentes que se instalam no espaço, sussurram um código com asas, sobrevoando-me os ombros. Oiço um alfinete a cair, mas os meus olhos já pouco ou nada reconhecem.
Sobeja a extravagância da minha ficção. Porque é outra vez dezembro, e não acontecem milagres.

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