Na jugular do silêncio

É véspera de ano novo. Madrugada. Acordo de um sono solto. Lá fora a neve, o frio, o inverno a mover-se. Abrigo o corpo dentro do robe, às mãos de um silêncio que me enche carregado de enigmas. Pressinto a tua chegada, no fundo de todas as interrogações. Se bem que os teus regressos sejam feitos de um tanto longe, sem o aviso dos comboios. Circulo, aberta aos pensamentos, pela casa, enquanto os pés vigiam o chão. Ensaio os dedos numa história de amantes. Deito-me de novo, finjo adormecer, assim como se fosse aprender a sonhar.

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