A pele que é pele, nunca esquece o toque. Pele na pele. O resto é um agitar de palavras estendidas ao vento.
Encontro-me do lado de dentro. O vidro corrido separa-me de ti no interior. Fiquei-me ali a olhar-te de perfil, a dois passos da tua existência. Tu, sentado, a repousar, com um mundo cheio, um corpo inteiro, em jeito de verdade corrompida. Via-te sem ser vista, por detrás da janela da varanda, presa pelos olhos. Escondi-me mais um pouco em jeito de menina a suportar uma angústia terrível, a cair por mim abaixo, a fixar-me os pés. Permaneci assim, de corpo entreaberto, de braços empobrecidos dos abraços que não acontecem. Outros olhos denunciaram-me. Fugi, de vergonha, dentro de um vestido vermelho que não me deixa passar despercebida. Aquele que te fez virar a cabeça e despistar o juízo. Escondo-me à pressa e desapareço de vista com o teu nome e o amor que trago comigo.

Comentários
Enviar um comentário
Sub|estância|s