Onde estavas quando tropeçaste?
À hora exata da tua queda, inexplicavelmente tombei na rua. Sincronizámos um desequilíbrio nas pernas. Estávamos em cidades diferentes, e no início da noite, enfiámo-nos num salto mortal, por um buraco sem chão. Cada um de nós vitimas de um esoterismo que nos soqueou rente á linha do queixo. Recompus-me como soube, outra vez em linha reta. Enquanto tu, andaste às voltas. Regressei ao hotel e, de um não-jeito-encolhido estranhei todo o quarto, e aquele cheiro legislador de um espaço provisório. Era tudo em mim um ofício de inquietações, adentro do corpo. Custou-me o diabo a adormecer. Liguei o televisor, sem o som, num documentário sobre Martin Luther King Jr. Fiquei-me assim acordada, com o coração no colo, no sombreado a preto e branco das imagens do ecrã. Aparições ao longe de pessoas nas ruas a desfocarem-se na nitidez do silêncio noturno. Sonhei contigo a noite toda. Uma angústia agarrada a imagens, a magoar sem matar.
Quando acordei soube. Fiquei como uma árvore despida. Só me apetecia correr desenfreada ao teu encontro. Ao outro lado do mundo.

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