Aborrecimento
Teodoro achava-se um homem pouco elevado. Tinha sido vendido como escravo. Pouco a pouco, brutalmente, de mansinho, o seu sobrenome perda-se na poeira, esquecido num império aleijado. Teodoro conhecia outras línguas e, tal atributo, destinou-o a traduzir livros antigos. Escritas de amantes e de pessoas para quem tudo é pequeno para o desejo do coração. Escravo, mas não homem morto. Esperava com um rigor antigo o estilhaço das frases abandonadas em aparentes livros-cadávares. Homem esperto, Teodoro adubava o espírito na fome galopante dessas paixões desconhecidas, inocentemente bárbaras. Um dia rompeu-se de vez o selo do império, e Teodoro foi abandonado à liberdade, entre incertezas e abismos. Nunca mais teve descanso. Tal regalia armava-lhe guerras consigo próprio, incursões de questões com propósitos elevados. Um desgaste. Indecentemente comovente .
Numa noite de larápios, Teodoro saiu para o escuro apreensivo, disposto a fazer de si um homem possível.

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