A tara de Dióstenes
Dióstenes passava a vida a esfregar-se de costas na terra. Às vistas de todos, tocado por um mal de juízo.
Desandava esbaforido logo ao raiar do dia, apoderado de susto ou de coisa grave. Soltava o corpo todo num golpe de bicho ágil e gritava de pulmões livres um latido rouco, atazanando o silêncio da vila. Depois remexia-se abalado e desimportado dele e de tudo. Tombava a língua fora da boca, como um animal morto.De fogo nas ventas, esguichava os olhos arregalados para o matagal à porta da casa, desaparecendo nervoso de um lugar para outro.
Dióstenes achava-se cão. Insistia ser cão. Solto, sem correção e sem culpa.
Desandava esbaforido logo ao raiar do dia, apoderado de susto ou de coisa grave. Soltava o corpo todo num golpe de bicho ágil e gritava de pulmões livres um latido rouco, atazanando o silêncio da vila. Depois remexia-se abalado e desimportado dele e de tudo. Tombava a língua fora da boca, como um animal morto.De fogo nas ventas, esguichava os olhos arregalados para o matagal à porta da casa, desaparecendo nervoso de um lugar para outro.
Dióstenes achava-se cão. Insistia ser cão. Solto, sem correção e sem culpa.

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