Da feição de Germénia

A boca de Germénia era um sino estropiado a bufar motivos tarados e prenhes de vícios desonrados. Ninguém esquecia coisas que repetia como se um alívio de tripas se tratasse. Punha-se à boca cheia a badalar coisas que o diabo esconde.

Germénia de opção feita por caminhos errados na sua meia loucura, foi mandada ao rei.

- Boca porca. Deus te ignora. Disseram uns.

- Arranquem-lhe a cabeça! Gritaram outros.

Germénia curvada de fraqueza coçava a cabeça incompleta de raciocínio. De beiços caídos descarregou grito afiado tocada por dizeres de mão pesada. Acudiram os homens zelosos a tamanho maltratado. Fecharam-lhe a boca num gesto. Quedou o povo surdo de ouvidos e de coração, para a vida.

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