A resistência é uma questão puramente estética

Quando abri os olhos o quarto estava coberto por um denso mar de cinzas, um manto de pó prateado e branco enchia numa apatia artística toda a cama, o chão, a cómoda, o candeeiro, a roupa usada e espalhada, ainda com esperança do amanhã. Acordei, numa espécie de regresso velado, temendo a vigília. Talvez fosse um bom presságio, despertar. Tinha confessado que lia mais de dois livros por mês. Alguém fizera queixinhas ou uma escuta telefónica. Um episódio de espionagem digno de grandes cabeças, cruzado com figurões de caras duras e azedas, em directo e ao vivo. Estava visto que não concordámos com a matéria em questão e nada pude contra os livros, convertidos agora numa massa leve e demasiadamente desfeita a tombar do tecto num bailado insólito.

As minhas fontes, essas, protegi-as, defendo com verrina e sangue, a elegância dos caminhos.



|ACP|

Comentários

Mensagens populares