Vestígios de um sonho
Sonhei contigo. Falámos-nos ao telefone. As nossas vozes ardiam. A tua, por vezes, calava-se, como se fabricasses o tempo e nele me acorrentasses. Olhei pela janela e procurei a direcção da tempestade. Lá fora, os carros estendidos ao longo dos passeios dividiam a multidão que se espalhava como fumo na noite ampliada. Combinámos encontrarmos-nos, rendidos ao precipício do gesto. Sei que uma vontade impossível fez-me querer correr atrás do vento e encontrar a rua onde moras. Talvez hoje te encontre, na profundidade de um sonho, ou no galope da loucura.

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