ensaio de ser outra coisa

Quando eu sou uma árvore acontece-me ficar firme ao solo. Ancorada em raízes ramificadas e profundas. Imóvel na corporeidade de uma força interior implicada nos átomos de forma esférica para serem mais aptos a esgueirarem-se por entre tudo. Uma árvore sem dono, nome ou marcha, de existência estruturada numa doutrina especial, composta de uma harmonia de contrários. Poisada sobre a solidão divisível de um planalto, numa perspectiva que suscita algo distinto, que não se destrói, não sujeita à corrupção das doenças ou ao enfraquecimento do avançar da velhice. Ah, quando eu sou uma árvore sou-o por um acidente ignorante, capaz de imprimir movimento sensível sem contudo me mover, de me possuir sem me ter.
acp

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