Notas ao vento
Insistes para eu escrever. Baptizas de bloqueio a minha
inexpressão. Dás troco com incentivos amáveis, elogios delicados e até sugeres
a encomenda de um exorcismo, em jeito de recreio.
Matuto na ideia, restringindo-me aos factos. Evolo-me em ideias, como se o vagar fosse educação. De pouco me vale esta discórdia que se brune. Uma dispersão
alongada e sem diálogo, uma tristeza piscando, eminente, sem paixão. Um
desencontro, que por medo e desconforto, apago. Recolho-me, sujeita a um
desdobramento sem afeição. Deixo-me ficar, de modo quase poético, enquanto sem
perícia de manejo, teço apontamentos, desobrigados, arvoreando palavras livres,
nunca escritas.

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