Tragédia Nívea
Nunca o branco foi tão redentor. Essa alvura poética inacessível à compreensão, uma causa de bondade sem necessidade de se explicar.
Flocos infinitos em queda, a pairar no pensamento, relacionando-se destemidos e imperturbáveis como uma boa colheita, na sua natureza do bem. Singela dança, diante das coisas que inspiram confiança, declarando na sua tendência tola, de tocar e cobrir de fulgor o que se lhe expõe, a renuncia da busca.
Desprendimento não corrompido e bem-comportado, encoberto pelas circunstâncias dos factos níveos, admitindo que na oligarquia da troca, as dificuldades não estão nas coisas, mas nas pessoas.
E nesse cair intuitivo, em pose de discernimento, certas palavras giram em torno de coisas imediatas, desprovidas de sensibilidade, reforçando um branco que extingue qualquer memória até à sua ruína ou recapitulam louvores corrompidos, provando suficientemente a tese da irremediável deselegância.

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