Extrapolações Naturais de Factos Inquestionáveis

Em Maio como cerejas, desfazendo-as na boca, na medida do reconhecimento do sabor e tingimento da língua e dos lábios. Saboreio uma a uma num modelo de múltiplas consciências de prazer, em milionésima de segundo, disponível numa trajectória da mão à boca. O cérebro demora sempre mais a processar estímulos visuais do que auditivos e a distância dos acontecimentos descritos, propõe um tempo de reacção entre o órgão sensorial e os músculos que movem os meus dedos, pressentindo um trajecto excitado de prazer, produzindo conteúdos de especificidade crescente. Primeiro  o estímulo, depois a forma, e a cor (num trajecto diferente), o movimento e por fim o reconhecimento da sua natureza.

Em Maio há sempre cerejas na mesa para me lembrar das implicações sedutoras das atracções dos fenómenos simples, cuja existência suspeito desaparecer na ilusão do movimento.


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