Voo sem asas ou o zuído da esperança
Hoje voou. Ou talvez tivesse sonhado que voava no interior do seu fictício cenário. Na verdade descia,flutuando sob a corrente de ar, numa enorme escadaria, suspensa na própria vontade, de peito aberto, tocada pelo fascínio do suspenso enleio.

Determinada na trajectória da acelerada descida, desemproada se moveu, cantando quotidianos, encantada pela farta nudez de entendimento, sem nenhuma bagagem, apenas a vertigem e a fé.
Soberba, movimenta-se internamente, onde o tecto desce degraus, onde o cume é o solo, onde os dias podem ser palco de muitas neblinas e nos quais sente o aplauso das brumas, que no fim lhe dizem, por hoje és o Olimpo.
O belo disto ela sabe, é conhecer as surpresas das despojadas amizades, o arroubo do amor que sigilosamente fortalece, o encanto da melancolia ou o poder dos verbos.
Hoje ela ama-se tanto, de infinito a infinito.


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