Dos crepes a Saturno
Fizemos crepes rendilhados.
Redondos e planos como os anéis de Saturno, empilhados em equilíbrio desfocado, assentes sob a porcelana do prato.
Eram crepes entremeados de brioso recorte, sempre diferentes, fiéis ao que o seu capricho exige, descompondo a lei que nele reside.
E quando a electrodinâmica dos discos macios, delicadamente perfumados de baunilha findou, ficámos na circulação atmosférica de pensamentos despovoados, em bandas de ventos fortes de leste, fazendo da minha pele um estendal, com a tua camisa ao vento, pisando nuvens e explodindo calendários.


Comentários
Enviar um comentário
Sub|estância|s