Ainda faz calor ou a estética da ilusão


A luz âmbar do fim da tarde convida ao encandear dos sentidos no eloquente exercício da natureza que se esfoça na revelação dos pormenores, dos traços e das figuras que os Homens semeiam no seu isolado discernimento. Do lento e preciso prazer do movimento, do desprezo por tudo que é apenas brilhante, brota ainda calor. Espalha-se com candura mais do que confiança, com mais lógica do que ardor. Insinua-se na sua maturidade e desabrocha. Os objectos ganham outra cor e o prazer adere-se à luz. As sandálias nos pés alternam passos mecânicos levados pela imitação da cadência poética e giro oratório do Terra.

Depois, com a divisão contínua e escrupulosa da noite, segue-se a interrupção, a pausa, para que expressão fecunda das ideias tome o seu espaço, extinguindo os seus raios de luz sobre cada um, falando de uma perda que todos, com ela, sentimos.




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