CAFÉ ON THE ROCKS PARA DESPOJADOS VERSUS CAFÉ FRAPPÉ PARA COMPLEXOS


Tem tudo a ver com os dias quentes que prometem revelar-se como um facto, testando limites e apurando tentações. Esta é uma fresca e exultante bebida milenar para os dias que tendem a ser mais vagarosos que o adágio. Na certeza de contrariar a lentificação que as temperaturas altas imprimem, nada mais eficaz que a ingestão líquida deste acessível alcalóide psicoactivo : A cafeína. Todo ele é um clássico dado a espevitar o corpo e a mente, não fosse a sua reputação cultural de “bebida dos pensadores”.

Para os que associam à toma o ardume de um cigarro, a nicotina duplica a taxa de metabolização da cafeína. A partir daí já sabemos como funciona a coisa. Fica tão enebriado(a) que depois de experimentar, dificilmente deixará o ritual. Atente aos perigos e decida se vale a pena deixar-se apanhar pelas suas vontades. Mostre quem manda.

Avançando sobre a preparação destas duas versões, que é o que se quer sem equívocos,  tomemos em comum uns calhaus de gelo. Para os apreciadores On the Rocks, seleccionamos os de geometria mais ou menos regular e, para os Frappé, a matéria sólida exige ser bem picada, desfeita em pedacinhos, ou lasquinhas, quase um granizado. Não desespere já, vamos pelo empirismo, por isso vá arranjando uma maneira eficaz para partir as pedras que escolheu. Socorra-se de um liquidificador com função apropriada ou na falta deste meio, embrulhe o gelo num pano limpo e com um martelo desfira uns quantos golpes sobre o amontoado que reuniu. Tudo pelas soluções práticas.

Quanto à escolha do café, o expresso lungo, é uma escolha segura, mas se não vai em palpites alheios ou receitas às três pancadas, siga a sua exigência palatina. O que importa é um arrepio de prazer final no espírito. Vá pela coragem da descoberta. Caso a especificidade da forma e da natureza do grão vos seja indiferente, tudo é possível, o que importa é que o modo de preparação seja quente.

Os copos nos quais se serve a bebida são distintos: Baixos e de vidro resistente para a versão descomplexada sobre pedras; Altos e largos para a versão sofisticada do frappé.

Para o interior dos primeiros verta o café quente, adoçado ou puro, de encontro aos cubos de gelo, a aguardar pelo choque térmico, como um twist dramático e marcante, despertando confusões no ânimo.

Quanto aos segundos, deposite uma mistura homogénea de café, gelo miúdo e um néctar lácteo, que à parte, em lugar privado ou virtual, bateu previamente. Depois de bater, deixe repousar durante um par de respirações profundas e recupere o fôlego. A maledicência pode ser cansativa. Pode finalizar com um “cheirinho” de preferência a grãos de café, mas cada um (a) é como é.

 

Se o café for uma opção demasiado sobressaltada ao sossego que aspira e se afunda, existe, em alternativa, o revigorante chá de menta ou uma qualquer e desmaiada infusão trendy de plantas. 


|||ACP|||


 

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