Depuração Musical
A música sempre se construiu como uma órbita precisa e constante na história que me faz. De uma forma cúmplice e imprevista desenhou uma trajectória marcada pela descoberta de mensagens, pensamentos, opiniões, emoções e pessoas. O caminho ininterrupto que ainda desenha nunca foi pela aquisição material ou pelo estudo artístico, mas antes pela expansão de um eixo aberto que deu forma à escrita, depois à dança e à planície dos diálogos internos.
Apreciar música é um processo de atracção gravitacional, no qual o corpo assume a posição central e estacionária, ignorando os efeitos mais subtis da relatividade geral. Daí, emergem fenómenos inclinatórios sob o efeito de aceleração crescente e da precisão abstracta de cada reinício. Mistura-se na pele e a atmosfera varia, agita-se, comove-se, arrastando-me num alto solar, alinhando o corpo na excentricidade orbital do prazer.
A afinação do gosto eclético pela música e em conseqência pelas escolhas humildemente influenciadas de qualidade, foram trazidas por criaturas humanas geossíncronas, navegando pelas latitudes temporais da minha existência.
A elas e a eles homenageio individualmente a sua sensibilidade e/ou genuíno saber no domínio artístico:
À Catarina, pelas vezes que assisti à magia dos ensaios de estudo de piano e à autópsia das letras.
À Bárbara, pela desinibida linguagem criativa e plasticidade de gostos ondulados pelas suas marés.
Ao Fernando pelos poentes de canto-autores que me deu a escutar num voo brando e entontecido de beleza.
Ao Edgar, pela delicada revelação do universo das sombras e ruídos, a par da consistência de registos para lá do tempo, guiando-me para novos equilíbrios.
Ao Nuno, pela sensualidade da verdade e dos códigos secretos que a memória guarda, acendendo estrelas em múltiplas versões musicais que nunca se tocarão no tempo.
À Bárbara, pela desinibida linguagem criativa e plasticidade de gostos ondulados pelas suas marés.
Ao Fernando pelos poentes de canto-autores que me deu a escutar num voo brando e entontecido de beleza.
Ao Edgar, pela delicada revelação do universo das sombras e ruídos, a par da consistência de registos para lá do tempo, guiando-me para novos equilíbrios.
Ao Nuno, pela sensualidade da verdade e dos códigos secretos que a memória guarda, acendendo estrelas em múltiplas versões musicais que nunca se tocarão no tempo.
A mim, pelo cio da música plantado no peito que se abre nos pulsos, como aves, ansiosas de voos.
|||ACP|||
Pic by Giovanni Esposito


Comentários
Enviar um comentário
Sub|estância|s