Contrafobia
Afligia-lhe na existência a ideia corrosiva da
doença
Fechado numa gaiola com a alma e a crença
As duas aos saltos, uma à outra, nos arames da
consciência
Rompida, postiça, aluída
Lambia o chão, a escada, o corrimão
Todos os cantos eivados de erros e os becos sem saída
Capaz de fazer a boca se habituar à impureza
Alojou dentro de si um cortejo de vermes e de seres
Ao ponto de não discernir o avesso e o desânimo da incerteza
De tanto se dar ao esforço cego de nódoas sorver,
Contaminado em bicho o corpo se fez, um cangalho
Sumido num sopro que desata a falar sem tom nem som.
|||ACP|||
Foto: Noell Oszvald

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