O zero é um universo inteiro, condensado num remoto feixe de luz
Começar do zero, dizem
Ninguém começa do zero, contraponho
Começamos sempre de alguma coisa
De uma ideia, de um desejo, de um acidente, de um romance, de um desespero, começamos
Nem que seja da indústria da genética
Apesar de por vezes me sentir como um carimbo meio apagado dos correios,
Ou uma vergonha que não está em condições de recuar, um bocejo a fim de matar o tempo.
Começo no vestígio mínimo de uma história às voltas dentro da boca, antes de a engolir ou a cuspir.
Num certo sentido, irreal, começo
Na sedução cristalizada do poema que escrevo.
|||ACP|||

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