a meiO do caminhO
Corremos juntos pela linha. Corremos
em fuga, ao longo de uma guia de ferro cravada no chão. Corremos com empenho,
de mãos dadas, unidas na concavidade da loucura. Corremos ofegantes segurando-nos
um ao outro no movimento e na vontade. Avançamos como heróis, sobre o trilho metálico
que pisamos num golpe de sorte.
Adiante, imponente, seguia a
máquina de ferro, pesada, enorme e veloz. Poderosamente nascida da propaganda
de uma geração de inteligência artificial, a máquina sofisticada, explorava numa
rotatividade precisa e sincronizada as paragens programadas na consciência da
própria ignorância.
Juntos, perseguíamos espantados a
linha, num fluxo adiantado, impossível de conter. Partíamos num par, explicados
pela conjugação de movimentos lentos e rápidos atingindo infalíveis a
experiência de voar.
Corremos juntos, voamos agora. Estendidos num exemplo sem
vocábulos nem receios, numa espécie de sonho contínuo.
Lá em baixo, a máquina circula no seu trajecto ininterrupto,
as coisas desprendem-se sem engenho, da consciência pesada do seu próprio
valor.
Nós pairamos juntos, na vertigem das sensações, gozando da mudança das coisas, perante o mistério do mundo.

Lindíssimo. Parabéns e nunca pares! Beijinhos e até já.
ResponderEliminarObrigada, de coração.
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