a meiO do caminhO


Corremos juntos pela linha. Corremos em fuga, ao longo de uma guia de ferro cravada no chão. Corremos com empenho, de mãos dadas, unidas na concavidade da loucura. Corremos ofegantes segurando-nos um ao outro no movimento e na vontade. Avançamos como heróis, sobre o trilho metálico que pisamos num golpe  de sorte.
Adiante, imponente, seguia a máquina de ferro, pesada, enorme e veloz. Poderosamente nascida da propaganda de uma geração de inteligência artificial,  a máquina sofisticada, explorava numa rotatividade precisa e sincronizada as paragens programadas na consciência da própria ignorância.
Juntos, perseguíamos espantados a linha, num fluxo adiantado, impossível de conter. Partíamos num par, explicados pela conjugação de movimentos lentos e rápidos atingindo infalíveis a experiência de voar.

Corremos juntos, voamos agora. Estendidos num exemplo sem vocábulos nem receios, numa espécie de sonho contínuo.

Lá em baixo, a máquina circula no seu trajecto ininterrupto, as coisas desprendem-se sem engenho, da consciência pesada do seu próprio valor.

Nós pairamos juntos, na vertigem das sensações, gozando da mudança das coisas, perante o mistério do mundo.

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